Tesouro Direto tem forte queda nos juros após 1º turno
06 de outubro de 2026 • Publicado por Vinicius Caamano
As taxas dos títulos do Tesouro Direto despencaram no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O movimento foi marcado por uma forte reprecificação dos títulos públicos e ficou entre os maiores recuos diários já registrados na série histórica do Tesouro Nacional.
Segundo levantamento publicado pelo InfoMoney, as taxas dos títulos prefixados com vencimentos mais longos registraram a segunda maior queda em um único dia desde o início da série histórica, em 2005.
Taxas do Tesouro Prefixado despencam
Entre os destaques esteve o Tesouro Prefixado 2032. A taxa caiu de 14,15% ao ano na abertura de sexta-feira (2) para 12,95% na segunda-feira (5), uma redução de 120 pontos-base.
Já o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 passou de 14,17% para 13,00% ao ano, recuo de 117 pontos-base. O Prefixado 2029 também apresentou forte queda, passando de 13,83% para 12,74% ao ano.
De acordo com o levantamento, quedas maiores nos títulos prefixados com mais de um ano para o vencimento haviam sido registradas apenas em momentos de forte estresse do mercado, como em dezembro de 2008, durante a crise financeira global.
Por que os juros do Tesouro Direto caíram?
A principal explicação para o movimento está na reação dos investidores ao resultado do primeiro turno das eleições.
Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, resultado que levou investidores a recalcular as expectativas para a política econômica e fiscal do próximo governo.
A percepção predominante em parte do mercado foi de que uma eventual mudança de governo poderia representar uma condução fiscal diferente, reduzindo o prêmio de risco exigido nos títulos públicos.
Esse movimento também apareceu nos contratos de juros futuros. As taxas dos DIs chegaram a recuar perto de 100 pontos-base nos contratos mais longos após o resultado eleitoral.
Tesouro IPCA+ também registra forte queda
Os títulos atrelados à inflação também acompanharam o movimento.
O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, passou de IPCA + 7,06% para IPCA + 6,32% ao ano, uma queda de 74 pontos-base. O IPCA+ 2040 recuou de IPCA + 7,22% para IPCA + 6,50%.
A queda das taxas é especialmente importante para quem já possui títulos de renda fixa e pode realizar o investimento antes do vencimento, devido ao mecanismo de marcação a mercado.
Quando os juros de mercado caem, o preço de títulos prefixados e IPCA+ já emitidos tende a subir.
Investidores que compraram títulos com juros altos foram beneficiados
O forte movimento mostrou como a marcação a mercado pode gerar ganhos expressivos.
Uma simulação do InfoMoney mostrou que uma aplicação de R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ 2050 realizada em julho
Vinicius Caamano
Vinicius Caamano é publisher e especialista em marketing digital, com foco em SEO, produção de conteúdo e crescimento de portais de notícias e projetos digitais.